Maria Máximo

     Isto para muitos era algo grandioso e bastava, mas, para Maria Máximo era o início da caminhada. Os primeiros passos tinham sido dados, mas, seu espírito empreendedor e sua solidariedade ao sofrimento desejava mais, em 1941 inaugurava ampla cozinha e refeitório (225 m²) que passam a distribuir alimento a mais de 150 pessoas diariamente. Essa iniciativa persiste até os dias de hoje, sem interrupção de um só dia desde 24/08/1941. 
     Três anos após, o dia 7 de setembro de 1944, a inesgotável força empreendedora de Maria Máximo, estabelece novo marco. Um prédio de três andares (1.200 m² de construção) é inaugurado para dar assistência às mães solteiras “às irmãs afastadas da sociedade” conforme conceituação da época - criaturas marcadas por uma época de preconceitos. 
     A preocupação com os sofrimentos alheios produzia em seu espírito a vontade do trabalho, animando-a a tudo que propiciasse um completo atendimento às crianças.  A instrução escolar não foi esquecida, em 10/04/1947 é inaugurada a Escola Espiritualista “Ordem e Progresso”, escola de ensino primário, novo prédio de três andares (mais de 1.300 m² de construção) no mesmo terreno, com frente para a Av. Conselheiro Nébias, n° 425.
     Animada por grande fé em Deus e idealismo cristão, Maria Máximo realizava mas, sofria os desgastes do corpo físico, natural e inexorável. Isto aliado à falta que produzia o companheiro de jornada, Miguel Máximo, desencarnado em 24 de agosto de 1940. Essa perda lhe havia produzido marcas ao sofrimento, pois, o companheirismo era bastante acentuado entre ambos, trabalhavam juntos profissionalmente durante anos e, assim prosseguiram na Casa Espírita de “Ismênia de Jesus”.
     Voltando a memória no tempo, cabe ressaltar dois aspectos que lhe engrandecem os feitos e dão medida mais exata das dificuldades vividas: Todas essas realizações, concretizaram-se no período da Grande Guerra entre 1939 e 1945, em plena crise nacional e internacional. Sua condição de mulher é o aspecto que também ressalta, pois a sociedade como um todo, tinha o domínio, mais acentuado pelos homens, sufocando o trabalho da mulher, restringindo-o às atividades domésticas.
     Agregado a esses aspectos anteriores, cumprindo a tríade básica de dificuldades, o que todo o seu trabalho, inclusive o mediúnico, despertava na sociedade, gerando a incompreensão, ataque e toda a sorte de barreiras comuns aos missionários, os executores de tarefas edificantes em nome de Deus.
     Porém não a pensemos só, sem ajuda, sem companheiros leais e denodados. Achegado a ela pelo sofrimento em família, o processo obsessivo desenvolvido numa filha, está o grande doador que possibilitou tais realizações materiais, em sua maior parte, o Cel. Arlindo Ribeiro de Andrade. Portador de grandes recursos materiais, o irmão Arlindo convocado pela sua bondade e motivado pelos exemplos, é valioso auxiliar nas tarefas, posto que a maioria da totalidade de seus bens patrimoniais foi objeto de sua doação.
     Um trabalho de tal envergadura, atendendo às finalidades descritas por certo obedecia planos superiores, e, Maria Máximo, recebia orientações de seu guia espiritual, Pai Aurélio, nada menos que seu genitor, Aurélio Augusto de Azevedo.
     Esse ex-médico português afirmava à filha dileta do coração que o “Banco da Misericórdia Divina não a deixaria sem recursos para a obra e que apareceriam de forma inesperada” instando-a sempre a prosseguir confiante e segura.

<<< Anterior          *          Próxima >>>