Maria Máximo

     Os trabalhos nas áreas assistencial e espiritual não davam trégua, nem descanso a Maria Máximo que se dedicava de corpo e alma, sem deixar-se abater espiritualmente, renovando suas forças nas necessidades alheias, esquecida sempre de si mesma. Todavia, o corpo físico cedia ao desgaste, levando muitos companheiros de luta a interceder para que repousasse para a recuperação da energia orgânica. Em carta datada de 19/01/1946, o irmão Maurício de Jesus Mariano, então 1° Secretário da Diretoria Executiva, escrevia a Francisco Cândido Xavier em Pedro Leopoldo estas palavras: “Nossa irmã Maria Máximo está muito enfraquecida em sua matéria, rogai a Jesus para que a fortifique, e muito particularmente vos peço, lhe aconselheis bastante repouso, que é o que ela mais necessita e a única coisa em que se torna rebelde, apesar das muitas recomendações de Pai Aurélio”. No mesmo ano em carta do dia 26, ela mesma,

     Maria Máximo em carta ao Chico Xavier, com quem mantinha correspondência e visitas pessoais, diz: “Quero pedir-te um grande favor que, por certo não me negarás. Pai Aurélio pede-me repouso, Dr. Carneiro, pede-me repouso, mas as mensagens que recebo são sempre estímu-lo ao trabalho e, como sabes, sou filha carnal de Pai Aurélio, pedia-te orientação dada por Emmanuel, para sossego de meu espírito, pois não sei se estou obedecendo ou desobedecendo.” 
     Compreende-se que ela sofria, no seu dinamismo cristão, pelas impossibilidades impostas pela doença. Lutava no seu idealismo, contra o descaso, realizando tanto quanto pudesse, até além de suas forças, para atender a tudo e a todos. 
     Essa é Maria Máximo, uma operária da Caridade nesta cidade de Santos, a terra da Caridade e da Liberdade, realizando com denodo desmensurado em trabalho árduo. 
     O agravamento progressivo e acentuado de seu estado de saúde levou os irmãos de ideal, seus companheiros no trabalho, a levá-la a repouso na Granja “Fé, Esperança e Caridade” (doada por volta do ano de 1947), onde ficava a colônia de férias para as crianças internadas em Santos. Procuraram obrigá-la ao repouso, afastando-a do palco das lutas mais acerbas, conseguindo em parte seus intuitos. Embora distante 60 Km de Santos, Maria Máximo participava juntamente com os guias espirituais, dos trabalhos de desobsessão realizados no Centro Espírita, onde se manifestava através de médium, orientando e incentivando os companheiros que continuavam mantendo atividade normal.
Essa forma de participação levou aproximadamente dois anos, quando em tarde ensolarada, no seu exílio forçado no local onde hoje funciona o Lar Escola "Ismênia de Jesus" para noventa crianças, aos 10/08/1949, particular deficiência coronária fez parar seu coração. O coração que, no palco do sentimento, figurativo, vibrou a pleno amor numa dedicação sem limites.    
     Vale lembrar ainda que enquanto alguns poucos irmãos presentes na hora da mudança tudo faziam na tentativa de reanimar o corpo, em menos de duas horas ouviram através de médium presente, sua manifestação primeira após o desencarne, dizendo que, sua “carta de alforria tinha chegado” e despede-se confortando e encorajando os companheiros a continuarem nas tarefas. 
     Essa existência terrena pelo vigor de ideal, desprendimento e trabalho, continuou a produzir frutos.